Desvendando o Sistema Nervoso Central: O Centro do Poder da Sua Mente
- clicipsi
- 24 de jan. de 2025
- 3 min de leitura
O sistema nervoso central (SNC) é formado pelo encéfalo (que inclui o cérebro, o cerebelo e o tronco encefálico) e pela medula espinhal. Ele funciona como o "centro de comando" do corpo, processando informações dos sentidos (como visão e audição) e decidindo como reagir.
Segundo Barlow (2015), o SNC filtra o que é relevante e ignora o que não é, acessando memórias para decidir como responder. A medula espinhal, por exemplo, tem a importante tarefa de transmitir as mensagens do cérebro para o restante do corpo.
O cérebro, considerado o órgão mais complexo do corpo humano, utiliza cerca de 140 bilhões de neurônios, que são as células nervosas responsáveis por transmitir essas informações.
Como funcionam os Neurônios?
Os neurônios têm duas partes principais que ajudam na comunicação:
Dendritos – responsáveis por receber mensagens de outros neurônios.
Axônios – responsáveis por enviar mensagens.
O axônio é revestido por uma substância chamada mielina, que acelera a transmissão dos impulsos nervosos, como se fosse o "fio condutor" das informações. Quando os neurônios "conversam" entre si, eles se conectam em um processo chamado sinapse.
O que é uma Sinapse?
A sinapse é o ponto de comunicação entre dois neurônios ou entre um neurônio e outra célula (como uma célula muscular). Apesar de parecer que estão conectados, há um pequeno espaço entre eles chamado fenda sináptica, por onde os sinais são transmitidos.
Nesse processo, substâncias químicas chamadas neurotransmissores (como serotonina, dopamina e noradrenalina) são liberadas para enviar mensagens. Esses neurotransmissores são fundamentais para entender sensações e comportamentos. Desequilíbrios nessas substâncias podem estar ligados a transtornos psicológicos, como ansiedade e depressão.
E as células Gliais?
Além dos neurônios, o sistema nervoso conta com outro tipo de célula: as células gliais. Por muitos anos, elas foram consideradas apenas "apoio" para os neurônios, mas estudos recentes mostram que elas desempenham um papel fundamental na comunicação entre as células nervosas.
As células gliais são essenciais para o funcionamento das sinapses, influenciam os neurotransmissores e até participam de processos complexos como o aprendizado. Elas também estão relacionadas a transtornos neurológicos e psicológicos, mostrando como são indispensáveis para o equilíbrio do sistema nervoso.
Compreender como os neurônios, as sinapses e as células gliais funcionam é fundamental para entender como as condições psicológicas surgem e como nosso cérebro afeta nossas emoções e comportamentos. Aqui vão alguns exemplos:
1. Depressão e Neurotransmissores
Na depressão, muitas vezes há um desequilíbrio na quantidade de serotonina (um neurotransmissor relacionado ao bem-estar) disponível nas sinapses.
Imagine que os neurônios são pessoas passando uma mensagem, e a serotonina é a "mensagem positiva". Se houver pouca serotonina, a comunicação entre os neurônios fica prejudicada, o que pode levar a sentimentos de tristeza, desmotivação e cansaço.
É por isso que alguns tratamentos, como os antidepressivos, ajudam a aumentar os níveis de serotonina nas sinapses.
2. Ansiedade e Noradrenalina
Em casos de ansiedade, pode haver um excesso de noradrenalina (neurotransmissor que ativa o corpo em situações de alerta).
Isso faz com que o sistema nervoso reaja exageradamente a situações que não representam perigo real. Por exemplo, você pode sentir o coração disparar ou uma sensação de pânico antes de uma reunião, mesmo sabendo que não há ameaça.
Entender como os neurônios e sinapses funcionam ajuda os especialistas a criar terapias e medicamentos que regulam essas reações.
3. Aprendizado e Células Gliais
As células gliais, que antes eram vistas como "coadjuvantes", têm um papel crucial no aprendizado. Elas ajudam a fortalecer as conexões entre os neurônios em momentos de aprendizado ou memorização.
Por exemplo, ao aprender algo novo, como um idioma ou um instrumento musical, essas células ajudam a organizar e otimizar as sinapses que armazenam essa informação.
Quando há algum problema com as células gliais, pode haver dificuldade de aprendizado ou até condições como Alzheimer.
4. Esquizofrenia e Dopamina
Na esquizofrenia, os níveis de dopamina (neurotransmissor relacionado à motivação e recompensa) podem estar desregulados.
Esse desequilíbrio pode levar a pensamentos desorganizados ou a alucinações, pois os sinais no cérebro são mal interpretados pelas sinapses.
Ao entender o papel das sinapses, os cientistas desenvolveram medicamentos que ajudam a regular a dopamina, diminuindo os sintomas.
Resumo:
Esses exemplos mostram como a comunicação no cérebro — entre neurônios, sinapses e células gliais — afeta nossas emoções, comportamentos e até condições de saúde mental. Essa compreensão é a base para terapias psicológicas, medicamentos e estratégias de autocuidado.
Por Cliciane Monteiro
Fonte: Barlow, D.H. (2015). Psicopatologia: uma abordagem integrada; tradução Noveritis do Brasil, revisão técnica Thais Cristina Marques dos Reis, 2. ed. São Paulo: Cengage Learning.







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